Papel do vereador precisa ser desatrelado da assistência social

Papel do vereador precisa ser desatrelado da assistência social

Papel do vereador precisa ser desatrelado da assistência social

Papel do vereador precisa ser desatrelado da assistência social

No Dia Nacional do Vereador, representantes dos legislativos municipais ressaltam desafio de comunicar à população qual o papel dos parlamentares e como essa função não diz respeito a “construir escolas” ou a “tapar buracos”

A enfermeira Francinete de Oliveira, com seus 75 anos, não é mais obrigada a votar, mas se recorda de em quem votou para vereador nas últimas eleições das quais participou, em 2012: nela mesma. Foram duas tentativas sem sucesso de integrar o Legislativo municipal de Fortaleza. O objetivo, afirma ela, era de “ajudar as pessoas”. Neste 1° de outubro, Dia Nacional do Vereador, é importante relembrar, no entanto, de que forma os vereadores podem, de fato, colaborar com a população.

O “ajudar pessoas” de Francinete é motivação comum a quem entra na vida pública. No caso dos vereadores, são eles a ponte entre a população e a prefeitura, a quem cabe executar ações. Em Fortaleza, 5ª maior capital do País, o vereador tem de lidar com realidades desiguais e com uma cultura que atrela ao legislador um papel assistencialista.

“Nosso papel é de legislar e cobrar para que a comunidade tenha uma boa escola, um posto de saúde funcionando, uma rua com saneamento, trazendo mais saúde para o povo”, pontua o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Antônio Henrique.

Para quem vive no Interior, no entanto, o conflito entre a real função e a cultura de assistencialismo que se atrelou ao parlamentar municipal é ainda mais presente na rotina.

“Quem votou nele espera que o vereador supra a necessidade em todos os âmbitos, no emprego, na comida. É angustiante não poder ajudar as pessoas da forma como elas precisam”, lamenta a vereadora Solange Baltazano, de Monsenhor Tabosa.

“A população acredita que você tem de executar: fazer calçamento, pagar conta de água e luz… Tirar isso da população, algo cultural, implantado ao longo de anos, é difícil”, pontua a vereadora de Baturité, Clarissa Calado, ainda no primeiro mandato.

Papel de legislar

Os vereadores formam a maior classe política do País. Segundo o presidente da União dos Vereadores do Ceará, Guto Mota, de Tejuçuoca, são mais de 50 mil no Brasil e de 2 mil no Ceará. “Essa função assistencialista não consta na Constituição, a função do vereador é fiscalizar e legislar. Muitos prestam o serviço social de coração”, pontua.

O presidente da União dos Vereadores do Brasil, Gilson Conzatti, de Itaí (RS), lembra que a falha começa muitas vezes no próprio candidato. “Ano que vem, vai ter gente dizendo: ‘eu vou fazer o asfalto’ ou ‘eu vou fazer a creche e a escola’, e vereador não faz nada disso. Ele é eleito para fiscalizar os atos do poder Executivo e para legislar”, pontua.

Para ele, além de conhecer o dia a dia da população, estar ciente do papel de um legislador é fundamental para um bom vereador.

fonte:www.diariodonordeste.verdesmares.com.br

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